DO BALAIO



canoeiro



leva-me, canoeiro, para além da curva do rio,
que seja a tua canoa um quadro sem mar.
desenha-me nas sombras e nos mistérios
da sofreguidão das ondas, do acender
das sílabas, da sede que busca as vinhas,
do ardor que chega à praia e funda instantes
densos, na preamar.
cuida da minha alma, pega-a no colo,
toca meu corpo sem palavras, faz-me feliz
com lágrimas, para que eu não esqueça
do gosto da água temperada com sal.
lava-me de todo o simbólico e do imaginário
que marca o real, mostra-me o ultra-secreto
desse lugar. que seja uma carícia quente
na água da vida, o teu remar; que seja leve
o balanço e que, numa dádiva silenciosa
- em reverência -
o estado da arte sorva a saudade
e sugue de nossos lábios o poema.



sonia regina
paraty, 21.04.06

2 comentários:

Sabô disse...

Olá Soreg.

Belos poemas.
Muitas vezes as transgressões se dão através de delicadezas.
Até +,
sabô

sonia regina [soreg] disse...

Olá, sabô! Sim, tb creio nisso.

Legal ter gostado, e vindo por aqui.

Até!

Sonia